Da Falível Vivência do Eu

Tanto se fala hoje em dia sobre o excesso de informação, sobre a incapacidade do ser humano de estar “em dia” com o que está acontecendo no seu mundo. Se fala sobre muitas coisas, muitas teorias, muitos pensamentos. Mas será mesmo o ser humano culpado disso tudo?

Sim, e não. Sim, porque ele mesmo criou tais sistemas, tais necessidades. Mas ao mesmo tempo, jamais se perguntou, em algum momento, se teria como conviver com isso.

Qualquer informação, hoje, está à um clique de distância. Qualquer pensamento ou idéia é propagado em 140 caracteres. Qualquer acontecimento corriqueiro é registrado em fotografias, com ou sem filtro, despejadas na internet, pra “quem quiser ver”. “Quem quiser ver” = seu círculo de amizades, ou não, uma vez que você pode ou não tornar público o que você joga nas redes sociais.

Já vi várias vezes, em vários blogs, postagens que diziam “Não faça isso, não faça aquilo”, como uma moderna regra de etiqueta no mundo virtual.

Uma que me pôs a pensar foi uma que dizia “Não fale sobre os seus problemas, ninguém quer saber”. Que se assemelha a um “meme” do Facebook “Torço pela felicidade alheia: gente feliz não enche o saco!”.

Vida complicada essa, onde você é proibido de ser humano. De errar, se sentir mal com isso, e querer desabafar com aqueles que você conhece. Mas, aqueles que você conhece não tem tempo pra você. Eles precisam usar o tempo disponível para atualizar Facebook, Twitter, Instagram, e todas as redes sociais que participam. Uma imagem gritante sobre nossos tempos, surgiu justamente no Facebook…

wi-fiNão interessa que é montagem, e o texto original é em inglês…

A necessidade de mostrar o que está fazendo pra quem nem liga, supera a possibilidade de falar com quem está ali à sua frente. Claro, vai ter alguém levantando a voz e dizendo “Ah, você está exagerando, não é bem assim, etc…”.

Claro, estou exagerando, tanto quanto um economista exagera quando faz projeções negras pra sociedade em geral. Quase apocalípticas, eu diria. Mas precisamos prestar atenção também ao que fazemos conosco mesmos.

Não, não estou dizendo que é “algo mais” pra você se preocupar. Mas algo em que PENSAR (coisa tão rara hoje em dia). As pessoas pouco pensam, sobre si mesmas, e sobre o que fazem. E todo aquele excesso de informação, citado no começo? Porque além disso tudo, você ainda precisa saber o que todo mundo está fazendo nas redes sociais (em alguns casos, não são nem pessoas que são do seu circulo íntimo, mas celebridades que você “segue”). Precisa saber o que está acontecendo ao redor do mundo. Precisa saber o que acontece na casa do BBB. Precisa saber o que aconteceu no capítulo de ontem da novela.

E aí, em sua vida, você não dá conta das coisas que competem à você mesmo. Você erra, inexoravelmente, em alguma coisa, não importa o quanto você busque ser melhor, ou perfeito (coisa impossível, não sei se te avisaram).

E quando erra, ou se sente mal, vai às mesmas redes sociais, e declama sua dor para quem quiser ver.

Mas como dizem as regras de etiqueta: “Ninguém liga”.

Triste mundo esse… Se fala tanto em deixar um mundo melhor pras gerações futuras… E que gerações vamos deixar para o futuro?

crersermais-desenvolvimento-humano-e-empresarial-3-780x461“Senhores, a taxa de suicídio tem aumentado exponencialmente… Mas quem liga? Vou atualizar meu Instagram!”

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Um pensamento sobre “Da Falível Vivência do Eu

  1. Me sinto angustiada constantemente por causa disso. A cabeça fica a mil, tantas preocupações, tantas dúvidas, tanta solidão. Penso em excluir tudo, mas daí eu sei que dos poucos amigos que ainda tenho, não irei ter notícias, porque eles aprenderam que se não for amigo na rede social, não tem tanta importância assim.

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