Ciúmes e Posse

Quantas vezes o “coração chora” porque aquela pessoa não está mais em nosso caminho? Quantas vezes a alma sofre porque não há mais esperança?

A necessidade humana de afeto e porque não dizer, de sexo, é perene e nos acompanha desde os primórdios. Mas uma imagem que sempre está atrelada/associada a isso é a noção de POSSE do ser amado.

Desde os tempos mais antigos, o homem era “proprietário” de sua esposa, e em alguns casos, o contrário também acontecia… Caso dos consortes, nas sociedades matriarcais. Pouco conhecidas no mundo ocidental, mas ainda assim, presentes.

Como se o Amor fosse uma corrente, algo que nos prende ao ser amado. Como se fossemos sua propriedade. E no desenrolar da História, como nos dias de hoje, a posse seria “compartilhada”. Uma vez que se clama por “direitos iguais a ambos os sexos”.

Vejam bem, não é a opinião deste que vos escreve, apenas uma constatação vinda de uma análise. Por favor, sem argumentação sobre “machismo” ou feminismo. Mentes aguçadas irão notar que é justamente CONTRA essa questão toda é que falo aqui.

O outro não é nossa propriedade, jamais foi, e jamais será. O outro é alguém que, por N fatores, sejam eles sexuais, físicos, ideológicos, sensuais, econômicos, está ao nosso lado querendo compartilhar sua vida conosco.

O outro não lhe PERTENCE. Não é uma POSSE. Você não tem DIREITOS sobre o outro.

Mesmo no meu fracassado casamento, eu tive a oportunidade de ouvir, ao final de tal relacionamento, de pessoas bem próximas “Você deveria ter feito valer seu direito como marido”. DIREITO como marido? Aquela pessoa não me pertence. Não é uma COISA.

Ela tem direito às suas escolhas, ao seu caminho, à aquilo que seu coração desejar. E num dado momento, eu deixei de ser algo que o coração dela desejava.

Dói? Claro que dói.

Notar que você não é mais parte daquele mundo daquela pessoa, que vocês, que tanto compartilharam, de repente, não seguem mais o mesmo caminho. Os sonhos que vinham à frente, simplesmente deixaram de existir. E isso não acontece (ou aconteceu) apenas no meu, ou NOS casamentos de qualquer ser humano. Qualquer fim de relacionamento, independente mesmo de opção sexual, é assim.

“Tio Edu, estamos falando de fim de relacionamento ou de ciúmes e posse, como é o título do post?”

Acalme-se, jovem mente impúbere. Acaba se tratando do mesmo tema. Vamos chegar lá.

O que mais mexe com a gente, não é tanto a falta de contato com o outro. Mas aquilo que só nós tinhamos com aquela pessoa… Não apenas os momentos de carinho, não apenas as ligações, ou, nestes tempos de modernidade, madrugadas no Whatsapp…

O principal é o futuro desfeito. Os sonhos que deixam de existir. (Sim, eu estou me perfazendo) Mas porque? Aquela pessoa pertencia à você, aquele futuro com ela lhe pertencia, era algo que ninguém jamais poderia ter lhe tirado…

Não, aquela pessoa não lhe pertencia, nem tal futuro.

E após o final do relacionamento, vem aquela fase de dor, de sofrimento, e de ver a pessoa outrora amada com outro… E os ciúmes… Ah, os ciúmes de algo que não é seu… Que não lhe pertence mais? Que digo? NUNCA lhe pertenceu. Aquele ser tem desejos e vontades próprias, e não faz parte mais do seu caminho. Por que insiste em querer que ele permaneça no seu caminho?

Porque você ainda considera que ele é SEU. E não é. Nunca foi. E não será, ainda que vocês voltem a ter um relacionamento. Este SER não é PROPRIEDADE sua. NUNCA será.

Abra seus olhos e compreenda que a sua única propriedade é você mesmo. Aquele ser pode escolher compartilhar a vida com você… Mas ainda assim, ele não é SEU.

Ciúmes? Algo que pode até ser bonitinho, quando existe com parcimônia, porque mostra que o outro gosta de estar com você, partilhar sua vida, e não quer deixar de estar com você. Mas esse ser não é SEU.

Um ser não tem propriedade sobre o outro. Lembrando um post anterior, com a “Oração da Gestalt”: “Eu sou eu, você é você.”

Sempre é bonito ver certas cenas no cinema, que retratam tal questão. Eu, particularmente, gosto muito desta cena de Moulin Rouge, o “Tango de Roxanne”.

Sim, é lindo…

 

Mas vale lembrar o quanto é doentio… Aquele ser não lhe pertence. Todos apreciamos porque, via de regra, entendemos profundamente a dor de perder o Amor.

Perder o Amor dói. Mas faz crescer.

E aprender a ter um Amor, que um dia, não vá embora.

Mas porque quer partilhar o restante da vida com você. Não por lhe pertencer.

 

 

 

 

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Um pensamento sobre “Ciúmes e Posse

  1. Que leitura APAIXONANTE !! Depois que passamos por momentos de dor, de perdas de Pessoas que nunca nos pertenceu, é que entendemos tudo isso aí que vc descreveu Tio Edu!
    Abs,
    Karen

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